terça-feira, 1 de setembro de 2020

Sinais



Caminhando solitário a beira do cais
Sem rumo ou direção
Não vejo onde estão os sinais
Dessa minha ilusão

Amores que se desfazem
Realizações que não se concretizam
Sonhos apenas não satisfazem
E as dores não minimizam

Nada é definitivo nessa vida
Nem as nossas conquistas
Nem as nossas feridas
Mas não podemos ser egoístas

Sempre haverá um caminho no final da estrada
Que nos leve em algum lugar seguro
Sem destino ou parada
Rumo ao nosso futuro


Alécio Souza

sábado, 1 de agosto de 2020

“Coringa” (Joker) - A realidade sombria de um mundo adoecido



Talvez o filme mais impactante de 2019 tenha sido o espetacular “Coringa”, protagonizado com maestria pelo brilhante ator Joaquim Phoenix. O filme que retrata a vida de Arthur Fleck, um homem com problemas mentais que tenta ganhar a vida como palhaço de uma agência de talentos é um retrato da nossa sociedade que exclui e ignora pessoas com algum tipo de deficiência. Na história o protagonista (Phoenix), recebe do governo um auxílio psiquiátrico que sem maiores explicações é cortado, o que interrompem as suas receitas e os medicamentos controlados que necessita para se manter lúcido.

No filme “Coringa”, vemos uma crítica social muito forte e que permeia a nossa sociedade atual que é a falta de inclusão social, o descaso das autoridades com os menos favorecidos, políticos que não se importam com a vida do povo, apresentadores de programas televisivos que ganham dinheiro explorando a desgraça alheia, humilhando pessoas excluídas e que geralmente não podem se defender. É um soco no estômago assistir ao sofrimento de Arthur Fleck durante grande parte do filme, chega a ser perturbador o modo como ele é tratado por colegas, superiores e a própria população.

O filme em geral nos traz muitas reflexões, mostra como uma sociedade e governantes podem ser cruéis com aqueles que não tiveram oportunidades na vida, que vivem tentando sobreviver em meio ao caos social. “Coringa” mostra a injustiça de classes, a desigualdade e o abismo social, o capitalismo selvagem e agressivo das grandes metrópoles, a falta de amor, empatia e compaixão com os desvalidos, a total falta de esperança de quem nada possui.

No mundo em que vivemos atualmente não há possibilidades de crescimento, não há educação e saúde de qualidade, emprego digno, moradia, diversão e muito menos alimento para todas as pessoas que não nasceram em berço de ouro ou em condições razoáveis de sobrevivência. São milhões de pessoas vivendo a margem da sociedade, sem saneamento básico, morando em barracos, debaixo de pontes, sem nenhuma perspectiva de uma vida melhor.

Nesse sentido o excelente filme “Coringa”, do diretor Todd Philips mostra cruamente como a falta de humanidade, sensibilidade e oportunidade podem desencadear o pior do ser humano, a revolta contra um sistema opressor e de manipulação que não se importa com a vida do próximo, com quem nada tem, com os deficientes, os pobres, os idosos e a maior parte do povo. Já passamos da hora de lutarmos por igualdade, pela democracia, pelos direitos iguais, pela igualdade de oportunidades, pelo fim das classes sociais, por mais dignidade para todos e por um mundo mais justo e solidário.

O mundo se tornou um lugar hostil e quase inabitável para os mais necessitados, são milhares de pessoas esquecidas pelos governos, pelas autoridades, pelos detentores do capital, os empresários e também por grande parte da população que se auto intitulam “cidadãos de bem”. Numa sociedade egoísta não há espaço para os "Arthurs Flecks" da vida real, não há interesse em dar condições dignas para todos e cada um se vira como pode. Triste pensar que a humanidade não deu certo, que nos tornamos incapazes de se comover com a dor alheia, com o sofrimento de tantas pessoas que só queriam ter a chance de viverem em paz.

Precisamos melhorar muito como seres humanos, aprendermos a nos respeitar, a sermos mais gentis, a se colocar no lugar do outro e compreender as suas dores, a lutar por um mundo com possibilidades para todas as pessoas sejam elas brancas, negras, idosas, pobres, deficientes, minorias, seja qual for à raça, crença, orientação sexual, nada disso importa porque somos todos humanos e merecedores de uma vida com dignidade, oportunidades e direitos básicos. A felicidade compartilhada é muito mais felicidade e todos nós aqui na Terra temos o direito de sermos felizes.


Alécio Souza

sábado, 4 de julho de 2020

Sem pressa

Sem pressa
Vou atrás do que me interessa
A esperança é tudo o que resta

Sem destino
Sigo em desatino
Vivendo como clandestino

Sem um amor
Que me faça sentir calor
E reconheça o meu valor

Sem um abraço
Que estreite esse nosso laço
Me sinto perdido no espaço

Sem paz
A felicidade se torna incapaz
E a tristeza é um passo atrás

Sem medo
Corro em busca do meu desejo
Sonhando com aquele seu beijo


Alécio Souza

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Efeito dominó

Pessoas negras sendo assassinadas
Sem culpa, sem resistência, sem dó
Famílias inteiras pela dor arrasadas
A cada morte vivemos um efeito dominó

O negro sempre foi caçado
Nunca teve liberdade desde a escravidão
O seu destino parece traçado
A sociedade os ignora sem perdão

Que mundo é esse com tanto racismo?
Quanta injustiça ainda teremos que aguentar?
Parece que a humanidade beira o abismo
É difícil enxergar atitudes para mudar

Triste saber que não nos tratamos como irmãos
Que vivemos ignorando a nossa própria raça
Será que algum dia viveremos em união?
Não existe mal que não se desfaça


Alécio Souza


Obs.: Parece inacreditável que em pleno 2020 o racismo esteja tão impregnado na sociedade e causando tantos assassinatos brutais, violência, humilhações, preconceitos, ataques virtuais e bullying em diversos países ao redor do mundo. Fiz este poema com toda a dor e indignação que tamanhas atrocidades me causam e sem saber se algum dia nos livraremos desse câncer que é o racismo. Dedico este poema para o menino João Pedro fuzilado dentro de casa por policiais no Rio de Janeiro, para a pequena Ághata Félix fuzilada dentro de uma Kombi escolar por policiais no Rio de Janeiro e também para o americano George Floyd assassinado brutalmente por um policial de Minneapolis (EUA).

#vidasnegrasimportam #blacklivesmatter #JusticeForFloyd #JustiçaParaFloyd

Para completar a postagem eu não poderia esquecer de colocar a música que se tornou o hino das manifestações antirracismo nos EUA, a belíssima canção "Lean On Me" de Bill Withers. A letra da canção é espetacular e bastante propícia para o momento atual.

domingo, 3 de maio de 2020

Isolamento

Isolamento pela solidão
Isolamento pela falta de compaixão
Isolamento na segregação
Isolamento por nossa desunião

Há tempos vivemos em isolamento
O vírus não é o nosso maior tormento
A falta de amor é motivo de lamento
E o ódio se tornou nosso desalento

Temos um mundo adoecido
De valores básicos que foram esquecidos
Compartilhar, dividir, são laços estremecidos
E todos os dias pela ignorância somos agredidos

Não há caminho sem a proximidade
Não há paz fora dessa realidade
Não seremos melhores sem a sensibilidade
Que o outro importa, isso é humanidade


Alécio Souza